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18 de agosto de 2017

TEMAS DE REDAÇÃO PARA O ENEM - TERCEIRÃO RUYZÃO

Com o aluno bem informado sobre o exame, agora sim é possível garantir que saber o tema da redação pode ajudá-lo. Sabe por quê? Porque para argumentar bem e demonstrar à banca examinadora seu conhecimento sociocultural é essencial estar bem informado sobre o tema proposto na redação.
Por isso, selecionamos e trazemos a você os temas mais cotados para a redação do Enem 2017, levando em consideração o modelo da prova e o que costuma ser cobrado todos os anos, ou seja, um tema de importância social para a realidade atual brasileira.
Vale lembrar que nossa tentativa não é acertar exatamente o tema, já que não temos (nem nunca tivemos!) informações privilegiadas. O que queremos é aproximá-lo dos temas sociais relevantes na atualidade para guiá-lo em seu estudo e aperfeiçoamento para o exame. Esperamos que nosso chute chegue próximo!
Nossa recomendação é que você estude os assuntos aqui propostos: pesquise-os, veja nossas recomendações e, principalmente, treine! É imprescindível que você faça redações sobre esses temas e outros que você julgar interessantes.
Preparado para os temas?

1. Regulamentação do Trabalho Doméstico

A Proposta de Emenda Constitucional do Trabalho Doméstico, popularmente conhecida como PEC das domésticas, foi aprovada em 2013 e bastante discutida na sociedade desde então. De um lado, há o viés dos empregadores, que tiveram aumento de gastos para registrar o trabalhador doméstico. Por outro lado, há o aumento de direitos trabalhistas a essa profissão. Esse assunto também popularizou bastante com o lançamento do filme brasileiro “Que horas ela volta?”, escrito e dirigido pela Anna Muylaert. O filme completo está disponível no Youtube e é um bom guia para iniciar sua reflexão sobre o assunto.

2.  Preconceito linguístico

preconceitoHá várias formas de se comunicar: escrita, imagens, símbolos, fala. E a linguagem tem variantes: regional, social, cultural, etc. Isso significa que há diferentes formas de utilizar a língua portuguesa e elas variam dependendo da situação, da região que se vive, entre outros aspectos. A norma culta é o padrão gramatical que aprendemos na escola. Mas as variantes – como gírias, abreviações, dialetos – são bastante comuns na nossa rotina. Sobre esse assunto, podemos levantar reflexões sobre como lidar com essas diferenças e em até que ponto elas são aceitas pela sociedade.

3. Deficientes físicos

Nos últimos anos, o ENEM vem trazendo propostas de redação com temas focados em alguma parcela da população que sofra algum tipo de discriminação. É o caso do ENEM 2015 sobre violência contra a mulher e as duas versões do ENEM 2016 sobre intolerância religiosa e racismo. Por isso, um tema que discuta a inclusão dos deficientes físicos é bem provável. Pesquise a diferença de inclusão e integração. Reflita sobre as condições dos deficientes nos ambientes escolar e de trabalho.

4. Discurso de ódio nas redes sociais

O clima nas redes sociais tem se tornado, cada vez mais, de intolerância e ódio. Discussões acaloradas, ameaças e denúncias têm sido frequentes. Com essa infeliz realidade, é possível que o ENEM levante essa discussão aos estudantes. O tema faz parte da realidade da maioria dos jovens e não deve causar dificuldade para argumentar. A dica é focar na proposta de intervenção e treinar detalhamentos de como amenizar essa situação.

5. Arte urbana

arte urbanaInicialmente em São Paulo, em decorrência de o atual prefeito apagar os grafites da cidade, esse assunto tem se tornado pauta de discussão em todo o país. Para começar, é importante diferenciar pichação e grafite. Junto a isso, pode-se refletir sobre a ocupação do espaço público e a função da arte urbana nesse aspecto. Um exemplo de arte urbana era o maior mural de arte a céu aberto da América Latina que está sendo destruído.

6. Moradores de rua

Assim como apagar grafites, outra política de higienização que alguns governos praticam é contra os moradores de rua, por exemplo, retirar cobertores, alimentos e animais de estimação dos moradores, à força. Além disso, a relação de alguns moradores com drogas, a precariedade de sua condição e a dificuldade para retornar ao mercado de trabalho são pontos de reflexão. Um movimento bem interessante que tem página no Facebook e lançou livro esse ano é o SP Invisível que mostra a história e a vivência de muitos moradores de rua.

7. Os limites do humor

limites do humorÉ comum vermos piadas ultrapassando os limites do humor respeitável e se tornando ofensa para grupos estereotipados. Um bom exemplo disso é o comediante Rafinha Bastos, protagonista de diversas polêmicas. Essa reflexão é válida de ser feita em diferentes ambientes: escolar, de trabalho, familiar, stand up, etc. Um filme muito interessante que, além de outros assuntos, também possibilita a reflexão sobre o discurso de ódio disfarçado de humor é o “Ele está de volta”, de David Wnendt, disponível no Netflix. Além disso, também tem um interessante documentário chamado “O riso dos outros”, de Pedro Arantes, disponível no Youtube.

8. Sistema carcerário brasileiro

O sistema carcerário brasileiro é um dos mais precários do mundo, sendo um dos principais problemas a superlotação. Vários movimentos de Direitos Humanos e pesquisadores estudam essa situação e outras questões como rebeliões, formação de facções, dificuldade de reinserção do ex-detento na sociedade e no mercado de trabalho, violência policial, etc. Para instigar a reflexão, vale a pena recordar o já clássico filme “Carandiru”, baseado na obra do médico Drauzio Varela.

9. Sistema previdenciário brasileiro

sistema previdenciarioO sistema de previdência social está em mudança no Brasil e isso tem trazido muita discussão – e até memes – sobre aposentadoria. É importante se manter atualizado sobre essa questão, pois ela pode aparecer na proposta de redação de forma direta ou indireta, por exemplo, sobre a qualidade de vida na terceira idade ou o papel dos idosos na economia brasileira.

10. Orientação vocacional

Com a proposta de mudança do Ensino Médio, uma das pautas surgidas na sociedade é sobre a capacidade (tanto econômica quanto emocional) dos jovens escolherem sua carreira tão cedo. Essa questão de orientação vocacional e pontos semelhantes como a carreira dos jovens e a inovação no mercado de trabalho podem aparecer no exame.

11. Educação básica no Brasil

educacaoMais um assunto possível devido às recentes discussões sobre a proposta do MEC para a mudança do Ensino Médio, dividido em grandes áreas e possibilitando o aluno escolher qual área se aperfeiçoar. Tanto isso quanto o sistema de cotas são pontos atuais que acarretam na reflexão sobre a grande necessidade de melhoria do ensino nas escolas públicas brasileiras. É importante pesquisar sobre isso e também treinar propostas de intervenção pensando em alternativas para a educação no Brasil, por exemplo, melhor formação e valorização dos professores e mais tecnologia em sala de aula.

12. Estética e saúde

A valorização do corpo humano é, muitas vezes, desconfigurada pela mídia e pelos padrões estéticos da sociedade. Isso pode causar alguns distúrbios e doenças, tanto físicas quanto psicológicas para as pessoas, o que é comum principalmente entre os jovens. Exemplos disso são doenças como anorexia e bulimia e a crescente popularização de cirurgias plásticas. Em contrapartida, a preocupação estética também pode motivar a prática de exercícios físicos e a boa alimentação que, sendo bem feitas, melhora a saúde do indivíduo.

13. Sustentabilidade das corporações

As empresas devem ter responsabilidade social e ambiental. Porém, muitas vezes, elas são as maiores poluidoras do meio ambiente, tanto pelo seu próprio processo industrial quanto em alguma catástrofe, acidente ou negligência. Exemplo disso foi a devastação da cidade de Mariana em Minas Gerais pela corporação SAMARCO. Isso foi um assunto muito discutido na sociedade e em pauta até hoje, o que o torna muito provável como inspiração para um tema de redação no ENEM. Se informe sobre o caso e outros semelhantes, pois isso pode garantir uma boa argumentação por exemplificação.

14. O conceito de família no século XXI

Apesar de esse tema ter sido cobrado recentemente em uma proposta de redação da UNESP – um dos maiores vestibulares paulistas – consideramos que ele ainda pode ser utilizado no ENEM, de forma integral ou voltado para pontos mais específicos: casamento entre homossexuais e adoção, por exemplo. Pesquise sobre o projeto de lei que deu origem a essa discussão e busque ampliar seus conhecimentos sobre o assunto refletindo sobre diversas formações familiares que existem, como crianças criadas por avós, casais sem filhos, etc.

15. Descriminalização das drogas

Atualmente, está em discussão na política brasileira a possibilidade de descriminalizar a maconha para uso medicinal e recreativo. Há tempos que esse assunto é polêmico e envolve argumentos sobre saúde dos indivíduos e tráfico de drogas, por exemplo. O Supremo Tribunal Federal está com a Lei Antidrogas em discussão. Aproveite para pesquisar mais sobre isso. E vale uma dica de ortografia: veja também a diferença entre descriminar e discriminar.

16. Justiça com as próprias mãos

Os linchamentos foram assustadoramente recorrentes nos últimos anos. Muitos dos casos ligados a racismo e homofobia, a justiça com as próprias mãos mostra um descontentamento da população com a justiça brasileira e, ao mesmo tempo, o aumento da intolerância e ódio a determinados grupos da sociedade. Uma dica para engrandecer a argumentação de uma redação com essa temática é estudar os filósofos contratualistas como Hobbes e Locke e refletir o linchamento como uma quebra do contrato social.

17. Manifestações populares

O espaço público tem sido cada vez mais ocupado com manifestações tanto políticas quanto ligadas a assuntos específicos, como o valor do transporte público que deu início às manifestações de junho de 2013, iniciadas em São Paulo e difundidas por todo o Brasil. A importância desses atos pode ser pauta de discussão em uma redação do ENEM, assim como a represália estatal e consequente violência policial que muitas vezes ocorre nessas manifestações.

18. Democratização da tecnologia

A tecnologia tem aumentado a democratização dos meios de comunicação, de entretenimento e educação no Brasil. Exemplos disso são as empresas WhatsApp, Netflix e plataformas online de educação, como nosso próprio portal InfoEnem que trabalha com várias plataformas – site, página do Facebook e o recente canal do Youtube – difundindo informação e conhecimento para muitas pessoas. Essa mudança de comportamento dos usuários de internet que buscam, cada vez, conhecimento online (seja uma receita culinária até artigos acadêmicos) é um bom ponto de reflexão.

19. Direito à água

A água é essencial para a manutenção da vida. Alguns assuntos podem colocá-la como ponto de discussão, por exemplo, a ideia de privatização da água que pode tirar seu acesso à população economicamente carente, assim como crises hídricas como a seca do Nordeste e a escassez de água que ocorreu recentemente em São Paulo. A Guerra da Água de Cochabamba, na Bolívia, pode ser um bom início de estudo sobre essa questão.

20. Esporte como transformador social

“Quando eu crescer, quero ser jogador de futebol “. Essa é uma frase bastante ouvida pelas crianças, principalmente as de classe socioeconômica mais baixa. Um dos motivos é a valorização do futebol no Brasil. Mas outro motivo é ainda mais interessante de se investigar e consequente do primeiro: a possibilidade de ascensão social para os esportistas. Como o Brasil sediou a última Copa e as Olimpíadas, esse assunto pode ser alvo de discussão na próxima edição do ENEM.

ENEM


Há algumas semanas, publicamos um texto , criticando uma “onda de decoreba” em relação a prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que tomou conta da internet e dos canais do Youtube. Mais especificamente, tecemos críticas a respeito de vídeos feitos e publicados por estudantes, participantes do exame, nos quais a “decoreba” é incentivada por meio da menção de diversas frases de efeito para se escrever na dissertação-argumentativa do Enem, sem nenhuma preocupação com o tema e com o viés temático da proposta de redação.
Em contrapartida, alguns de nossos leitores que comentaram esta publicação concordaram conosco nesta posição, mas atribuíram tal fato à correção “falha” das redações das edições do Enem que, segundo eles, levam os estudantes a “treinarem” desta maneira para a prova, isto é, decorando citações de escritores, historiadores, filósofos dentre outras figuras de autoridade. De acordo com alguns comentários, a correção erra ao não prejudicar textos que parecem encaixar trechos decorados sem a preocupação se esse encaixe dará certo levando em consideração o tema, a proposta de redação e o recorte temático proposto pela coletânea de textos motivadores.
Concordamos que a correção das redações das provas de produção de texto do Enem apresenta falhas que há vários anos já deveriam ter sido reparadas, mas também levamos em consideração a grande dificuldade de se elaborar, aplicar e corrigir um exame de dimensões continentais feito por milhões de brasileiros.
Porém, tal “onda de decoreba” propagandeada pelos vídeos consumidos por uma geração acostumada à rapidez, ao dinamismo e ao consumo fácil propiciado pela internet também nos leva a pensar em um outro fator que pode contribuir ou não para tal fenômeno: a divulgação de redações nota máxima, as famosas redações nota 1.000.
No último guia do participante, publicado pelo Ministério da Educação e pelo Inep em 2016 (faça o download), textos que obtiveram notas máximas no Enem 2015 foram publicados juntamente com análises, algo inédito em relação ao Enem. No entanto, desde que os espelhos das redações começaram a ser acessados pelos participantes, portais de notícias passaram a publicar verdadeiras coletâneas de dissertações-argumentativas nota 1.000, mostrando seus autores, suas origens, em quais cursos e universidades ingressaram, juntamente com dicas de estudos etc.
Fuvest e a Comvest, organizadoras dos vestibulares da USP e da Unicamp, respectivamente, também publicam, por meio dos seus sites e de livros, exemplos de redações que obtiveram notas máximas em suas provas de produção de texto, mas essas divulgações não parecem ter o mesmo impacto na sociedade que a divulgação das redações nota máxima do Enem.
Isso talvez aconteça porque a Fuvest varia muito o tom, digamos assim, de seus temas de redação: já houve temas objetivos como também temas filosóficos. Já o vestibular da Unicamp apresenta dois textos de escrita obrigatória e estes são dois gêneros diferentes, com propostas e objetivos totalmente distintos entre si, ou seja, uma verdadeira caixinha de surpresas.
O tema da proposta de redação do Enem também não deixa de ser uma surpresa , mas como em todo o ano este é uma questão brasileira de cunho social que precisa de propostas de intervenção ou de solução, fica mais fácil de se pensar que existe uma receita pronta para qualquer tema quando, na verdade, isso é uma mentira. Tal fato parece incentivar um “treinamento” baseado em fórmulas prontas, receitas mágicas e “decoreba”, ou seja, uma grande falácia.
O que existem são caminhos possíveis de introdução, desenvolvimento e conclusão de uma dissertação-argumentativa, mas estes caminhos só poderão ser verdadeiramente traçados após conhecermos o tema, a coletânea de textos motivadores e o recorte temático da prova de redação, seja ela de qualquer vestibular e exame.
Nesse sentido, será que ainda vale a pena divulgar, sem quase nenhum cuidado e atenção, redações que obtiveram nota 1.000, já que parece que essa divulgação cria um falso padrão seguido pelos estudantes e candidatos ao exame.
O que vocês acham?

15 de agosto de 2017

TEMA DE REDAÇÃO

Texto 1
padronização corporal

Texto 2
padronização corporal 2
Texto 3
Brasil lidera ranking de cirurgias plásticas no mundo
A International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps) divulgou, em julho, um relatório com números sobre cirurgia plástica ao redor do mundo em 2013. Ao todo, foram 23 milhões de procedimentos no ano passado. O Brasil ocupa posição de destaque no levantamento, já que foi  o que mais realizou procedimentos cirúrgicos, ficando a frente dos EUA com 1.491.721 do total. O país da América do Norte, no entanto, ainda lidera quando o volume total de cirurgias plásticas – cirúrgicas e não cirúrgicas – são considerados.
As cirurgias mais realizadas no Brasil foram lipoaspiração e colocação de próteses mamárias. O país também é líder quando o assunto é rinoplastia e abdominoplastia. Entre os procedimentos estéticos, o destaque é a aplicação da toxina botulínica. O volume é o segundo maior do mundo, com 308.185 procedimentos realizados.               Do total de mais de 23 milhões de cirurgias plásticas realizadas, os cinco países que mais registraram procedimentos são os EUA, o Brasil, o México, a Alemanha e a Espanha. O procedimento mais popular do mundo é a aplicação de toxina botulínica. Além disso, as mulheres representam 87,2% das pessoas que fizeram cirurgia plástica.
Texto 4
padronização corporal 3
Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema O culto à padronização corporal no Brasil, apresentando experiência ou proposta de ação social, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEMA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
Pedroso (1999) afirma que “Um povo que não tem raízes acaba se perdendo no meio da multidão. São exatamente nossas raízes culturais, familiares, sociais, que nos distinguem dos demais e nos dão uma identidade de povo, de nação. Quem não vive as próprias raízes não tem sentido de vida. O futuro nasce do passado, que não deve ser cultuado como mera recordação e sim ser usado para o crescimento no presente, em direção ao futuro. Nós não precisamos ser conservadores, nem devemos estar presos ao passado. Mas precisamos ser legítimos e só as raízes nos dão legitimidade”.
TEXTO II
O Brasil, por conter uma grande dimensão territorial e uma população numerosa e miscigenada, com grande quantidade de descendentes de europeus, africanos, asiáticos e índios, apresenta uma vasta diversidade cultural no seu povo.
Esse é um tema de extrema importância e deve ser abordado em sala de aula, pois os alunos devem ter conhecimento da diversidade cultural do país e saberem a origem de festas folclóricas, culinária, crenças e todos os tipos de manifestações culturais, fortalecendo ainda mais o processo de valorização dos costumes locais, contrapondo a tentativa de unificação de uma cultura de massa imposta pelos meios de comunicação.
TEXTO III
A Lei 10.639/03 propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana. Por exemplo, os professores devem ressaltar em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas.
TEXTO IV
Cultura popular brasileira vem da miscigenação de etnias.

ENCCEJA

A partir de 2017, o ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) voltou a ser o exame responsável para retirar o certificado do ensino médio. Mas como assim voltou? Antigamente, antes do ENEM começar a oferecer esse serviço, os alunos que queriam obter o certificado, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio, tinham que fazer o ENCCEJA.
A certificação do ensino médio pelo ENCCEJA foi oferecida até 2009, quando o ENEM ganhou forças e não só começou a ser a principal forma de ingresso nas universidades como passou a oferecer esse serviço. Porém, com as mudanças anunciadas pelo MEC no início deste ano, essa certificação voltou a ser responsabilidade do ENCCEJA.
Esse exame também é realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o famoso Inep. O mesmo Instituto responsável pelo ENEM. Por isso as áreas de conhecimento se mantém.

COMO SÃO AS PROVAS DO ENCCEJA?

O exame não só avalia os conhecimentos do estudante quanto às matérias do ensino médio, também avalia a vida familiar, em comunidade, no trabalho, nos movimentos sociais, manifestações sociais e em organizações da sociedade civil. As provas para obtenção do certificado do ensino médio são compostas por 30 questões objetivas e separadas pelas mesmas áreas de conhecimentos do ENEM:
– Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Química, Biologia e Física);
– Ciências Humanas e suas Tecnologias (História e Geografia);
– Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Português, Língua Estrangeira, Artes e Educação Física);
– Matemática e suas Tecnologias;
– Redação;
Em cada prova a pontuação pode variar de 60 para 180 níveis (também conhecidos como pontos). Para que o estudante consiga obter o seu certificado do ensino médio deverá alcançar no mínimo 100 níveis em cada prova e 5 na redação (a nota máxima é 10).
Mas caso você não consiga alcançar a pontuação mínima em alguma prova, não precisará realizar todas as provas novamente no ano seguinte. Você só precisará fazer as provas em que não conseguiu alcançar a nota mínima. Para isso, você precisará retirar a Declaração de Proficiência na Secretaria de Educação da sua cidade.

QUEM PODE SE INSCREVER?

Os participantes que desejam obter o certificado do ensino médio, tanto os que residem no Brasil quanto os que residem no exterior, deverão ter idade mínima de 18 anos no dia da prova do ENCCEJA. Para se inscrever, os estudantes que farão a prova no Brasil deverão informar o número do CPF e do RG, já os que estão no exterior deverão informa o CPF ou o número do passaporte. As inscrições são feitas pelo site do Inep.
TAXA DE INSCRIÇÃO: não há taxa de inscrição, o exame é totalmente gratuito.
DATAS: O Inep ainda divulgará o edital do ENCCEJA deste ano com o prazo de inscrição e as datas das provas.

ONDE RETIRO O CERTIFICADO DO ENSINO MÉDIO?

No caso dos candidatos que realizaram o ENCCEJA no Brasil: o certificado deverá ser retirado na Secretaria de Educação da sua cidade ao apresentar o número de inscrição.
No caso dos candidatos que realizaram o ENCCEJA no exterior: o certificado deverá ser retirado na Embaixada Brasileira ou no Consulado-Geral do Brasil no pais onde o candidato realizou a prova.

TEXTO DE APOIO...QUE FAZER??

Você já deve saber que todas as propostas de redação no Enem (e outros vestibulares) vêm acompanhadas de um ou mais textos de apoio para auxiliar na produção da sua dissertação, ajudando os candidatos a definirem seus pontos de vistas sobre o tema em questão e deixando o processo de criação menos complicado. Veja algumas dicas de como aproveitar esses textos da melhor forma:

Leia com atenção os textos de apoio!

Os textos motivadores muitas vezes podem indicar algumas das linhas de raciocínio que a banca corretora do exame gostaria de ver na sua redação, por isso é muito importante lê-los com bastante atenção.

Não sabe por onde começar?

Se você não sabe como começar a sua redação, os textos de apoio podem ser de muita ajuda. Como eles sempre vão indicar reflexões válidas e importantes a respeito do tema, você pode utilizar o mesmo raciocínio como ponto de partida para o seu texto.

Mantenha a sua originalidade

Mesmo que esses textos sejam ótimas oportunidades de você começar a refletir sobre o que escrever na sua redação, os candidatos não devem usar estes materiais para somente reproduzir as informações e pontos de vistas apontados. Esta prática poderia influenciar negativamente na nota final de sua redação podendo acarretar, inclusive, em sua anulação. É importante saber que os trechos copiados dos textos motivacionais não são considerados na contagem de linhas, ou seja, não serão considerados pela banca avaliadora.

Aproveite os dados

É muito comum encontrar dentro dos textos motivadores dados relevantes para a proposta temática em questão, como gráficos e estatísticas. Essas informações podem ser utilizadas, por exemplo, para provar os seus argumentos por meio de raciocínios, ou justificar a relevância de sua proposta de intervenção:
“Visto que atualmente as mulheres ganham 30% menos que os homens, é preciso…”
Além disso, esses dados também devem ser aproveitados para você explicar em seu texto por quais razões tais fenômenos acontecem, ao invés de apenas indica-los.

Nunca ignore os textos de apoio

Por fim, nunca deixe de ler os textos! Além de deixar passar informações que podem ser bastantes relevantes para a elaboração de sua redação, você poderá deixar raso o seu texto por não compreender bem a proposta temática. Por isso, mesmo se você não estiver com muito tempo na hora, sempre dê uma lida nos materiais de apoio disponibilizados.

TEMA DE READAÇÃO

TEMA: A EDUCAÇÃO COMO SOLUÇÃO PARA RESSOCIALIZAÇÃO DE DETENTOS: UTOPIA OU REALIDADE?

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A educação como solução para ressocialização de detentos: utopia ou realidade?”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
Anderson foi preso por tráfico de drogas e é interno da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira, no complexo de Bangu, onde cursa a 6ª série do ensino fundamental desde o início do ano. Ele é um dos beneficiados pela Lei 12.433, que dá a presidiários o direito de reduzir sua pena frequentando aulas dentro da prisão. Desde que a lei foi promulgada, há dois anos, subiu de 8% para 10,2% a parcela de detentos no Brasil com acesso a atividades educacionais, algo que especialistas consideram essencial no processo de ressocialização.
A lei foi criada para incentivar a adesão dos detentos ao ensino básico, mas o objetivo esbarra na falta de infraestrutura. Um levantamento do Ministério da Justiça, feito após solicitação do GLOBO via Lei de Acesso à Informação, mostra que, das 1.410 prisões no país, 40% (565) não têm sequer sala de aula. Estão em desacordo com a Lei 12.245, de 2010, que obriga todas as unidades penais a oferecer educação básica e profissionalizante a seus internos.
TEXTO II
Ester Rizzi, assessora da Ação Educativa, que realiza estudos sobre a educação em sistemas prisionais, acredita que há uma “visão forte” entre gestores e sociedade de que o ensino para presos é “privilégio”. “A violação do direito à educação é mais uma das violações que ocorrem no nosso sistema prisional. A pena no Brasil diz respeito à privação de liberdade. Os outros direitos – à educação, à saúde, à dignidade humana – têm de ser respeitados”, afirma.
Segundo a pesquisadora, a estrutura física dos presídios é um dos grandes empecilhos para a oferta educacional nesses ambientes. Além disso, ela acredita que os gestores educacionais – e não de segurança pública – é que devem cuidar dessa oferta. Muitas vezes, não são professores das redes que ministram cursos para os presidiários. Em São Paulo, essa é uma mudança recente. “É um avanço porque as políticas chegarão a eles da mesma forma”, diz.
Ester garante ainda que há outro mito em relação aos presos: o de que eles não se interessam pelos estudos. A Ação Educativa produziu uma pesquisa no ano passado, entrevistando os detentos, e constatou que, embora72% dos participantes da pesquisa não estivessem estudando, 86% afirmaram que gostariam de estudar. Mais da metade dos entrevistados nunca passaram por cursos formais na prisão.

TEXTO III
A educação como solução para ressocialização dos detentos: utopia ou realidade?
TEXTO IV
O sistema penitenciário brasileiro segue como uma instituição medieval, onde não faltam os castigos físicos, a insalubridade, a masmorra de confinamento e o abandono. A questão do sistema penitenciário não pode ficar apenas nos discursos eleitoreiros, como os que já se ouvem novamente. Não adianta apenas construírem cada vez mais penitenciárias de segurança máxima.
Essa política errada e insensível somente faz com que, por outro lado, também nos aprisionemos em casas, apartamentos e condomínios ”de segurança máxima”. É preciso usar as terras que temos de sobra e criar penitenciárias-fazendas, onde o apenado possa “limpar” as mãos lavrando a terra e, irrigando-a com o seu suor, plantar para o autossustento da instituição e mesmo o sustento de sua família. Que os presídios localizados nas áreas urbanas sejam unidades fabris, onde o apenado possa dedicar seu tempo no aprendizado de uma profissão técnica e do quanto o trabalho dignifica, enobrece e satisfaz. O mesmo em relação aos delinquentes menores e jovens, sem educação, sem orientação, dominados pelas drogas e praticamente sem futuro algum.

AH, OS PLEONASMOS !!!


Às vezes há, às vezes não há alternativa, mas não há ‘outra alternativa’! O pleonasmo, ou redundância, apresenta duas facetas: há o chamado pleonasmo literário, aquele em que o autor opta por fazer um reforço estilístico de uma ideia. É o que fazem Alvarenga e Ranchinho, nesta hilária história de amor:
Romance de Uma Caveira
“Eram duas caveiras que se amavam
E à meia-noite se encontravam
Pelo cemitério os dois passeavam
E juras de amor então trocavam
(…)
Mas um dia chegou de pé junto
Um cadáver novo de um defunto
E a caveira por ele se apaixonou
E o caveiro antigo abandonou (…)”

Diversos autores, na música ou na literatura, lançaram mão desse artifício para, estilisticamente, reforçar suas ideias:
“Chovia uma triste chuva de resignação.” (Manuel Bandeira)
“E rir meu riso e derramar meu pranto.” (Vinícius de Morais)
“Detalhes tão pequenos de nós dois.” (Roberto Carlos)
“Morrerás morte vil na mão de um forte.” (Gonçalves Dias)
“Ó mar salgado, quanto do teu sal /
São lágrimas de Portugal.” (Fernando Pessoa)
“Eu nasci, há dez mil anos atrás.” (Raul Seixas)
“Foi o que vi com meus próprios olhos.” (Antonio Calado)
“Eu canto um canto matinal.” (Guilherme de Almeida)
Além desse caso, literário, cujo emprego é estilisticamente aceito, há o pleonasmo vicioso, em que a repetição é realmente desnecessária, como ocorre nas conhecidíssimas expressões: “entrar para dentro”, “sair para fora”, “subir para cima” ou “descer para baixo”. A questão é que, em diversos casos, a ideia da repetição fica escondida na origem da palavra ou depende de um conhecimento de mundo que o falante não possui. Nessas situações, o pleonasmo ‘se aproveita’ e invade as frases!
As expressões abaixo são exemplos disso. É preciso conhecer a etimologia (a origem da palavra) ou ter domínio da gramática, para perceber a repetição em:
Outra alternativa (alter, no latim, significa ‘outro’)
  • Superávit positivo
  • Todos foram unânimes
  • Surpresa inesperada
  • Protagonista principal (proto, em grego, significa ‘primeiro’)
  • Cardume de peixes (aqui é preciso saber os substantivos coletivos)
E é preciso conhecimento das Instituições, para não empregar estas:
  • General do Exército (na Marinha e na Aeronáutica há patentes equivalentes, com outros nomes)
  • Vereador da cidade
  • Prefeitura Municipal (embora os municípios insistam em colocar esses dizeres no prédio do Paço Municipal)
Existe também outro fenômeno linguístico que, por vezes, ocorre nos textos argumentativos. Trata-se da tautologia, cuja definição, segundo o Houaiss, é “expressão que repete o mesmo conceito já emitido, ou que só desenvolve uma ideia citada, sem aclarar ou profundar sua compreensão”. Ou seja: dizer o mesmo, com outras palavras, mas sem realmente explicar a ideia. Veja alguns exemplos, para evitar que sua dissertação tenha problemas:
  • As coisas são difíceis porque não são fáceis.
  • Tudo o que é demais sobra
  • Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

12 de agosto de 2017

10 coisas que você NÃO DEVE fazer na Redação do ENEM - Débora Aladim

50 CITAÇÕES FILOSÓFICAS PARA COLOCAR NA REDAÇÃO DO ENEM - Débora Aladim

50 CITAÇÕES FILOSÓFICAS PARA COLOCAR NA REDAÇÃO DO ENEM - Débora Aladim

REDAÇÃO ENEM: DICAS, CITAÇÕES E ALUSÕES (Débora Aladim)

TEMAS PARA A REDAÇÃO DO ENEM 2017 (parte 1) - Débora Aladim

REDAÇÃO: O polêmico uso da 1ª pessoa do plural na redação nota 1000

A interlocução nas produções textuais


interlocução em dissertações-argumentativas (tipo textual requerido pela proposta de redação do Enem e de demais vestibulares e concursos) já foi tema desta coluna mais de uma vez , mas como é uma dúvida recorrente entre as mensagens que os leitores enviam a nós, resolvemos retomá-lo.
Inúmeras discussões são realizadas entre professores de Língua Portuguesa do ensino básico e docentes universitários das áreas de língua e linguagem acerca do uso da 1ª pessoa do singular (eu) em dissertações-argumentativas, mas a verdade é que a maioria das grades de correção dos vestibulares que pedem esse tipo textual condenam, digamos assim, a interlocução marcada entre autor e leitor em dissertações-argumentativas.
Diferentemente da situação de produção de um texto que circula nas esferas sociais, com autor, motivação, objetivos e público-alvo específicos, a situação de produção de uma dissertação-argumentativa é uma situação simulada, ficcionalizada, pois trata-se de um tipo textual exclusivo da esfera escolar na qual um contexto e um tema precisam ser criados a fim de se cumprir uma proposta de redação também simulada. Toda essa simulação é necessária porque não há uma real motivação, exceto pedagógica e avaliativa, para se escrever uma dissertação-argumentativa.
Como há esse deslocamento de uma situação de produção real na qual há uma verdadeira motivação (como escrever uma carta de leitor para um jornal, um relatório para a empresa, uma carta aberta para alguma autoridade, um resumo para um professor, uma entrevista para uma revista etc) para uma situação avaliativa de uma prova, como é o caso do Enem,deve-se evitar o uso da 1ª primeira do singular, o uso do imperativo (ordem) e também deve ser evitada a referência da coletânea de textos motivadores e da proposta de redação em si, já que devemos nos colocar como autores que possuem a voz do bom senso e da razão que objetivam convencer um leitor que representa um leitor universal (também simulado), ou seja, qualquer pessoa que é alfabetizada.
Assim, devemos evitar o uso da 1ª pessoa do singular e do imperativo para não estabelecermos uma interlocução com o nosso leitor. Outras marcas que devem ser evitadas pela mesma razão são as de 2ª pessoa do singular (você, seu, sua, teu, tua etc) e do plural (vocês, seus, suas, teus, tuas etc).
Além disso, já que devemos imaginar um leitor universal para as nossas dissertações-argumentativas, não podemos pressupor que ele conhece a coletânea de textos motivadores e a proposta de redação em si e, assim, devemos evitar escrever, por exemplo: “segundo o texto um da coletânea” e “de acordo com a coletânea de textos motivadores”.

10 de agosto de 2017

COMANDO DO TEMA DE REDAÇÃO DO ENEM


Uma prova de redação ou de produção textual, desde aquela aplicada pelo professor de Língua Portuguesa na escola até a do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ou de qualquer vestibular e concurso público, não é só uma prova que avalia a escrita do aluno ou do candidato; toda prova de redação avalia duas habilidades: leitura e escrita.
Uma proposta de produção de texto bem feita possui enunciado, coletânea de textos (motivadores ou textos fontes, dependendo do perfil da prova) e instruções, tudo muito bem “amarrado” em torno de um construto que, por sua vez, varia de prova para prova, já que cada uma tem um perfil diferente, um estilo distinto e busca selecionar um tipo específico de futuro aluno ou de futuro profissional, no caso dos concursos públicos.
Deste modo, para sair bem em uma prova de redação o aluno ou candidato deve ler, de maneira proficiente, toda a proposta de produção de texto, desde o tema, passando pelos textos de apoio e chegando ao enunciado e às instruções. Este é o primeiro passo, e não menos importante do que a produção textual em si, para se escrever o que a proposta pede, já que ela nada mais é do que uma tarefa a ser cumprida.
Nesse sentido, o aluno ou candidato deve preocupar-se em compreender, da maneira correta, o tema e o recorte temático proposto pela prova de redação quando esta exige a escrita de um texto dissertativo ou dissertativo-argumentativo a respeito de um tema e baseado em uma coletânea de textos motivadores, como é o caso da prova de redação do ENEM.
Neste caso específico, os participantes do exame federal ficam muito ansiosos por saber se estudaram ou não, ao longo do ano, o tema da redação e no dia da prova, quando o descobrem, batem o olho e só, isto é, não pensam muito sobre como ele foi formulado, o que é errado. O aluno ou candidato deve investir um tempo na leitura atenta do comando do tema e da coletânea de textos para analisar e compreender o recorte temático proposto pela proposta de redação como um todo.
Podemos citar, como exemplo, os temas das duas últimas edições do ENEM, as duas versões aplicadas no ano de 2016. O tema da proposta de redação da primeira edição do ENEM 2016 foi “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil“; já a segunda edição teve como tema “Caminhos para combater o racismo no Brasil“. A escolha por abordar a intolerância religiosa e o racismo no nosso país foi excelente por serem temas, infelizmente, ainda atuais e presentes em nossa sociedade e que devem sim ser combatidos, porém, os comandos dos temas poderiam estar melhor elaborados, pois a palavra “caminhos”, em ambos, pode fazer com que o participante apenas escreva possíveis caminhos e propostas de intervenções sociais (soluções) para combater a intolerância religiosa e o racismo no Brasil (até porque a quinta competência exige isso) e deixe de dissertar e argumentar a respeito desses temas.
Como a prova de redação do ENEM exige a escrita de uma texto dissertativo-argumentativo, o candidato que apenas listou, apontou ou dissertou sobre possíveis caminhos ou soluções para combater a intolerância religiosa e o racismo no nosso país teve um grande prejuízo em sua nota final porque não argumentou sobre as causas e consequências, origens, contexto histórico, social e cultural etc.
Já o tema da redação do ENEM 2015 – “A Persistência da Violência Contra a Mulher na Sociedade Brasileira” – tinha como palavra-chave “persistência”. O participante que negou que a violência contra a mulher persiste no Brasil, por exemplo, teve prejuízo em sua nota, pois foi contra o comando do tema.
Estes exemplos mostram como devemos prestar muita atenção ao comando do tema de qualquer prova de redação: se este apresenta um questionamento, seu texto deve respondê-lo; se o tema o coloca para escolher entre duas posições, escolha uma; se o comando de tema especifica algo por meio de uma palavra-chave, siga tal especificação e assim por diante.

8 de agosto de 2017

ENCCEJA 2017 Para Certificação do Ensino Médio


Estão abertas as inscrições no Encceja 2017 Nacional – Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos – para estudantes residentes no Brasil que desejam retirar a certificação do Ensino Médio ou do Ensino Fundamental.
Os interessados em participar desta edição devem atender a faixa etária mínima, que varia de acordo com a finalidade para a qual vão realizar a prova, conforme descrito a seguir:
  • Certificado do Ensino Médio – Ter pelo menos 18 anos completos até a data de realização da avaliação, que será em 22 de outubro (saiba mais);
  • Certificado do Ensino Fundamental – Idade mínima de 15 anos completos até o dia do exame.

Como Fazer a Inscrição no Encceja 2017?

O prazo de inscrições segue aberto até às 23h59min do próximo dia 18 de agosto, sendo que o processo é gratuito e deve ser feito pela internet, na página do Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, pelo endereço eletrônico enccejanacional.inep.gov.br.
De forma semelhante ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), antes de iniciar o preenchimento do formulário de inscrição do Encceja o candidato deve realizar um cadastro com seu CPF e uma senha, além de e-mail e celular válidos.
Caso o participante precise de atendimento especializado e/ou específico deve fazer a solicitação e comprovar a necessidade durante o período de inscrição. Também será no cadastro que deverá escolher o município de realização das provas e o tipo de certificação (ensino médio ou Fundamental).
Tela inicial do sistema de inscrição do Enccej 2017. Repdrodução: Inep.
Ainda na inscrição será preciso indicar se precisa obter a pontuação exigida em todas as áreas ou se apenas em uma ou mais específicas, no caso daqueles que já possuem proficiência – pontuação necessária – em alguma (as) área (as).
Por fim o inscrito ainda terá de informar qual a Secretaria Estadual de Educação ou Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia que irá emitir seu certificado caso atenda as notas mínimas.

Modelo das Provas do Encceja

O exame será aplicado em data única (22 de outubro) e trará 120 questões objetivas com alternativas nas quais somente uma é correta, bem como uma redação. As questões dividem-se em quatro áreas para a prova de certificação do ensino médio (Ciências da Natureza; Ciências Humanas; Linguagens e Códigos e Redação; Matemática.) e do fundamental (Ciências Naturais; História e Geografia; Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física e Redação; Matemática.)
A aplicação do exame ocorrerá em dois períodos: no turno matutino, entre 8h e 12h, e vespertino, entre 14h30 e 19h30, ambos respeitando o horário oficial de Brasília.

Regras Para Obter a Certificação e Declaração de Proficiência

Para obter a certificação, seja do Ensino Médio ou Fundamental, o candidato deve tirar a nota mínima de 100 pontos em cada uma das quatro áreas, incluindo na redação (se não obter a pontuação mínima na redação não será considerada a nota mínima da área, mesmo que o candidato obtenha 100 pontos nas outras disciplinas desta mesma área).
Quem não conquistar a nota mínima em todas as áreas não poderá retirar o diploma neste ano. No entanto, nas provas em que atingir 100 pontos ou mais poderá solicitar a declaração de proficiência, que elimina a necessidade de obter a pontuação na referida área numa edição futura do exame.
A partir desde ano o Encceja passou a substituir o Enem na cerficação do ensino médio.

SIMULADO 8

ESCOLA: ________________________
Prof.:____________________________
Nome: ___________________________



Leia o texto e, a seguir, responda as questões 1 e 2.

Vidas secas
Graciliano Ramos

[...]
− Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai.
Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.
A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
− Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.
Tinham deixado os caminhos, cheios de espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés.
[...]
RAMOS, Graciliano Vidas Secas. 45. ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1980, pp. 9-16.



D3    Questão  1 ––––––––––––––––––––––––––|
No trecho “...Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém...”, a expressão “coração grosso” significa que o coração é
(A) entristecido.
(B) endurecido.
(C) amargurado.
(D) envergonhado.
(E) descompromissado

D4    Questão  2 ––––––––––––––––––––––––––|
Pela leitura do trecho “Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.”, infere-se que Fabiano estava
(A) desnorteado.
(B) desconfiado.
(C) apavorado.
(D) resignado.
(E) animado.


Leia o texto e, a seguir, responda as questões 3 e 4.

O tempo e o vento – O continente
Ana Terra
[...]
Mal raiou o dia, Ana ouviu um longo mugido. Teve um estremecimento, voltou a cabeça para todos os lados, procurando, e finalmente avistou uma das vacas leiteiras da estância, que subia a coxilha na direção do rancho. A Mimosa! – reconheceu. Correu ao encontro da vaca, enlaçou-lhe o pescoço com os braços, ficou por algum tempo a sentir contra o rosto o calor bom animal e a acariciar-lhe o pelo do pescoço. “Leite para as crianças” – pensou. O dia afinal de contas começava bem. (...)
Começou a catar em meios dos destroços do rancho as coisas que os castelhanos havia deixado intactas: a roca, o crucifixo, a tesoura grande de podar – que servira para cortar o umbigo de Pedrinho e de Rosa, – algumas roupas e dois pratos de pedra. Amontoou tudo isso e mais o cofre em cima de dum cobertor e fez uma trouxa.
Naquele dia alimentaram-se de pêssegos e dos lambaris que Pedrinho pescou no poço. E mais uma noite desceu – clara, morna, pontilhada de vaga-lumes e dos gemidos dos urutaus.
Pela madrugada Ana acordou e ouviu o choro da cunhada. Aproximou-se dela e tocou-lhe o ombro com a ponta dos dedos.
– Não há de ser nada, Eulália...
Parada junto de Pedro e Rosa, com um vaga-lume pousado a luciluzir entre os chifres, a vaca parecia velar o sono das duas crianças, como um anjo da guarda.
– Que vai ser de nós agora? – choramingou Eulália.
– Vamos embora daqui.
– Mas pra onde?
– Pra qualquer lugar. O mundo é grande.
Ana sentia-se animada, com vontade de viver. Sabia que por piores que fossem as coisas que estavam por vir, não podiam ser tão horríveis como as que já tinha sofrido. Esse pensamento dava-lhe uma grande coragem. E ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra. A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto... Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve. E agora ela tinha enterrado o pai e o irmão e ali estava, sem casa, sem amigos, sem ilusões, sem nada, mas teimando em viver. Sim, era pura teimosia. Chamava-se Ana Terra. Tinha herdado do pai o gênio de mula.
[...]
VERÍSSIMO, Érico. O tempo e o vento: I. O continente. São Paulo: Globo, 1952, pp. 122-123.

D19    Questão  3 ––––––––––––––––––––––––––|
A gradação no trecho “sem casa, sem amigos, sem ilusões, sem nada...”, utilizada pelo autor do texto, tem o objetivo de
(A) enaltecer a determinação de Ana Terra.
(B) destacar a vontade de viver de Ana Terra.
(C) detalhar a personalidade física e moral de Ana Terra.
(D) descrever o comportamento psicológico de Ana Terra.
(E) enfatizar a sensação de ausência que toma conta de Ana Terra.




D15    Questão  4 ––––––––––––––––––––––––––|
No trecho “Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino.”, o conectivo “pois” estabelece com a ideia que o antecede uma relação de
(A) restrição.
(B) conclusão.
(C) explicação.
(D) concessão.
(E) comparação.


D12    Questão  5 ––––––––––––––––––––––––––|
Leia o texto e, a seguir, responda.

Resenha literária da obra Capitães da Areia

O romance Capitães da areia, de Jorge Amado, foi publicado em 1937. O livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. A partir de 1944, quando uma nova edição é lançada, entra para a história da literatura brasileira, assim como outros livros do autor, traduzidos para outros idiomas e adaptados para rádio, teatro e cinema.
É um romance modernista, pertencente à segunda fase do Modernismo no Brasil (1930-1945), também conhecida como Romance de 30 ou fase Neorrealista, cuja narrativa aparece fortemente vinculada às transformações políticas, sociais e econômicas do período. Pela primeira vez na história da literatura brasileira, um escritor denuncia de maneira panfletária – romântica, e paradoxalmente, socialista e realista – o problema dos menores abandonados e dos menores infratores que desafiavam a polícia e a própria sociedade. [...]
Capitães da Areia trata da problemática do menor abandonado e das suas consequências: a violência, a criminalidade, a discriminação e a prostituição. A narrativa inicia-se com uma sequência de Cartas à Redação do Jornal da Tarde - Carta do Secretário do Chefe de Polícia; Carta do doutor Juiz de Menores; Carta de uma Mãe Costureira; Carta do Padre José Pedro; Carta do Diretor do Reformatório - a fim de debater as questões referentes a crianças que viviam do furto e infestavam a cidade. São apresentados, logo em seguida, três capítulos: “Sob a lua num velho trapiche abandonado”; “Noite de grande paz, da grande paz dos teus olhos”; Canção da Bahia, “Canção da Liberdade”.
Jorge Amado, amado pelo público, incompreendido, muitas vezes, pela crítica - pelos descuidos com a língua portuguesa, pela linguagem coloquial, pela forma idealizada com que apresentava as suas personagens - será sempre lembrado como o escritor que conseguiu manter um diálogo permanente e intenso com o público. Capitães da Areia, apesar de ter sido escrito há tanto tempo, continua atual. É o que mostra o pesquisador literário Eduardo Assis Duarte, a história daqueles meninos continua a pontuar as páginas dos jornais e da televisão, a mostrar que os problemas sociais, econômicos e políticos persistem.
Percorrer as páginas do livro é um exercício de cidadania. Mesmo que seja, de forma idealizada, Jorge Amado criou personagens envolventes, capazes de “abrir” os olhos do leitor, que se vê envolvido em cada história, que reconhece um ou outro personagem nas páginas policiais. São heróis? São bandidos? São vítimas? São menores abandonados! É preferível acreditar que são vítimas, vítimas da marginalização a que são submetidos. Vítimas de um sistema que precisa, urgentemente, mudar.

A finalidade principal desse texto é
(A) informar sobre os capítulos da obra de Jorge Amado.
(B) instruir sobre a segunda fase do Modernismo brasileiro.
(C) opinar sobre os problemas sociais, econômicos e políticos da Bahia.
(D) divulgar a sequência de Cartas enviadas à Redação do Jornal da Tarde.
(E) fazer a apreciação crítica da obra “Capitães da Areia”, de Jorge Amado.


D10    Questão  6 ––––––––––––––––––––––––––|
Leia o texto e, a seguir, responda.

Vidas secas
Mudança

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.
[...]
A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
─ Anda, excomungado.
[...]
Tinham deixado os caminhos, cheios de espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés.
Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a ideia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores. Sinhá Vitória estirou o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados ao estômago, frio como um defunto. Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a sinhá Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se, agarrou os bracinhos que lhe caíam sobre o peito, moles, finos como cambitos. Sinhá Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis.
E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.
[...]
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 45. ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 198, pp. 9-16.

No fragmento, Fabiano chega a considerar a hipótese de abandonar seu filho à própria sorte. Qual é o desfecho desse momento da narrativa?
(A) Fabiano querer chegar onde nem ele mesmo sabia.
(B) Fabiano responsabilizar o filho por sua desgraça.
(C) Fabiano se manter indiferente pensando nos urubus e nas ossadas.
(D) Fabiano tomar o filho nos braços e seguir a viagem resgatando-se como ser humano.
(E) Fabiano ser repreendido por Sinhá Vitória pela sua atitude de querer abandonar o filho.


Leia os textos e, a seguir, responda as questões 7, 8 e 9.

Texto I
Combater a dengue é tarefa de todos

É preciso que a população colabore na caçada aos transmissores, dentro de suas casas e quintais, locais de maiores propagações.

O verão, período mais propício à propagação da dengue, nem chegou, mas o país já se depara com número alarmante de óbitos. Nos oito primeiros meses do ano, foram registradas 693 mortes, 70% a mais do que no ano passado. O mesmo índice aplica-se ao Estado do Rio, que teve 10 óbitos no ano passado e até agora já soma 17. É a maior incidência desde que a doença começou a ser monitorada, em 1990. Portanto, já passa da hora de o poder público deflagrar medidas preventivas maciças contra o mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
Porque a guerra ao mosquito deve ser permanente, sem trégua ao transmissor. Se é sabido que os ovos do mosquito sobrevivem mais de doze meses, é imprescindível manter uma política permanente de controle o ano inteiro.
Mas ação do Estado só não basta. É preciso que a população colabore na caçada aos transmissores, dentro de suas casas e quintais, locais de maiores propagações. Para ganhar essa guerra, o combate ao mosquito tem que ser uma tarefa de todos.
Disponível em: . Acesso em: 19 abr. 2016.

Texto II
‘Controle da dengue precisa ser revisto’, afirma pesquisa
Maíra Menezes

Um artigo publicado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) na revista científica Bulletin of the World Health Organization, editada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta para a necessidade de mudança nas estratégias de controle da dengue no Brasil. O estudo mostra que as medidas recomendadas pelo Programa Nacional de Controle da Dengue não foram suficientes para conter a disseminação do vírus tipo 4, detectado na cidade de Boa Vista, em Roraima, em 2010. “Analisamos uma situação em que todas as ações foram realizadas de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, que segue as recomendações da Organização Panamericana de Saúde (Opas) e da OMS”. (...)
[...]
Para tentar bloquear a disseminação do vírus dengue 4, as autoridades de saúde decidiram intensificar as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti em Boa Vista. As ações contaram com a cooperação entre as esferas de governo municipal, estadual e federal. Por solicitação da coordenação geral do Programa Nacional de Controle da Dengue, a avaliação destas ações foi feita por pesquisadores do IOC. Vistorias para eliminar criadouros das formas imaturas do inseto foram realizadas em todas as casas de 22 dos 31 distritos da cidade, recobrindo uma área onde estão concentrados 75% da população. Ao todo, 56.837 imóveis foram inspecionados por agentes de saúde. Os profissionais removeram objetos que poderiam acumular água e aplicaram larvicidas, produtos químicos para matar as larvas do mosquito, nos reservatórios que não poderiam ser eliminados. O trabalho foi acompanhado pelo uso de carros para pulverizar inseticida nas ruas, com o objetivo de matar os mosquitos adultos.
[...]
A principal mudança percebida pelos cientistas após as ações foi negativa: o aumento da resistência dos mosquitos aos inseticidas. A chamada "razão de resistência" dobrou após três meses e triplicou depois de seis meses. Isso significa que, um semestre após as ações de combate ao Aedes aegypti terem sido intensificadas, seria necessário usar uma concentração de inseticidas três vezes maior para matar a mesma quantidade de mosquitos. Os pesquisadores ressaltam que a resistência dos insetos aumentou mesmo em áreas que não foram pulverizadas com inseticida pelas autoridades de saúde, o que pode ser explicado pelo uso doméstico das fórmulas. “No momento da epidemia, costuma ocorrer pânico entre a população, que recorre a inseticidas vendidos livremente nos mercados e farmácias. No entanto, estes produtos não conseguem eliminar todos os mosquitos e seu uso acaba contribuindo para o aumento da resistência”, diz Denise. A pesquisadora destaca ainda que o aumento da resistência foi significativamente menor para o produto utilizado contra as larvas, que não está disponível para a população.
[...]
Para os pesquisadores, o baixo impacto das ações adotadas e o aumento da resistência a inseticidas observados em Boa Vista evidenciam a necessidade de uma mudança de conduta no combate à dengue. “Não existe um culpado nesta situação. As melhores práticas foram aplicadas e mesmo assim não houve sucesso. Acreditamos que é necessário refletir sobre este cenário”, afirma Denise. No artigo publicado no boletim da OMS, os pesquisadores citam o exemplo de Cingapura, onde a mobilização popular conseguiu reduzir os casos de dengue durante uma epidemia entre 2004 e 2005. Apesar das grandes diferenças geográficas e culturais entre o país asiático e o Brasil, a efetividade da ação aponta para um elemento importante na opinião dos cientistas: o engajamento da população. “O estado precisa fornecer serviços públicos, como saneamento básico e coleta de lixo, que são fundamentais no controle da dengue. No entanto, uma postura paternalista, em que os agentes de saúde são os principais responsáveis por eliminar os criadouros do Aedes aegypti, parece não estar dando certo”, pondera.
Mosquitos com a bactéria Wolbachia, que não transmite dengue, e vacinas para prevenir a doença são avanços científicos em desenvolvimento que podem contribuir para o controle da dengue. No entanto, os cientistas ressaltam que estas iniciativas devem ser vistas como medidas complementares no combate à doença. “Dificilmente, uma ação isolada será capaz de acabar com a dengue. O combate aos mosquitos é a única forma de prevenção disponível hoje e, provavelmente, ele continuará sendo importante por muitos anos”, afirma Rafael.
Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2016.

Em relação ao “combate às doenças causadas pelo Aedes aegypti”, o texto I e o texto II apresentam opiniões

D21    Questão  7 ––––––––––––––––––––––––––|
(A) opostas.
(B) idênticas.
(C) divergentes.
(D) contraditórias.
(E) complementares.



D9    Questão  8 –––––––––––––––––––––––––|
Qual é a principal informação do texto I?
(A) Os cuidados com a transmissão da dengue.
(B) A doença causada pelo mosquito Aedes aegypti.
(C) O número alarmante de óbitos provocados pela dengue.
(D) A manutenção de uma política permanente de combate à dengue.
(E) O combate à doença causada pelo Aedes aegypti ser responsabilidade de todos.




D14    Questão  9 ––––––––––––––––––––––––––|
No texto II, o trecho que apresenta uma opinião do autor é
(A) “(...) A avaliação das ações para bloquear a disseminação do vírus da dengue foi feita por pesquisadores do IOC.”.
(B) “As ações para combater o Aedes aegypti contaram com a cooperação entre as esferas governamentais (...)”.
(C) “Os profissionais removeram objetos que poderiam acumular água e aplicaram larvicidas para matar as larvas do mosquito.”.
(D) “As autoridades de saúde decidiram intensificar as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti em Boa vista.”.
(E) “Dificilmente, uma ação isolada será capaz de acabar com a dengue. O combate aos mosquitos é a única forma de prevenção disponível hoje (...)”.
D16    Questão  10 –––––––––––––––––––––––––|
Leia o texto e, a seguir, responda.

Disponível em:
htm>. Acesso em: 15 abr. 2016.
Na tirinha, o que provoca humor é
(A) a menina ler a carta escrita pelo cachorro.
(B) o cachorro expressar seu sentimento através de carta.
(C) a menina considerar que a mensagem do cachorro é vaga.
(D) o cachorro sentir falta da namorada cedo, à tarde e à noite.
(E) o cachorro não compreender o que a menina quis dizer com a palavra “específico”.

GABARITO 
1 B
2 A
3 E
4 C
5 E 
6 D
7 E
8 C
9 E
10 E